
A arte de amar
São os mesmos caminhos
As mesmas paisagens
Os mesmos atos impetuosos
Os roteiros são os mesmos
O palco e a orquestra
O mesmo canto
Uma lógica irrefletida
O mesmo imperativo
A compulsão à repetição
Repetem-se os cenários da alma
A tirania da imaginação
A convidar-me aos enlevos líricos
A arte que descubro é outra
Convém aprendê-la e dominá-la
A mentira ensaiada com
sinceridade
Bordam as venturas do amor
Que se evita por prudência
A rejeição carreia a atração
A indiferença governa o desejo
O amor como a arte deve ser uma
mentira crível
Uma tékhne que dominam apenas os
astutos
E que produz o deleite sem a
paixão
Um mal insidioso que enfraquece
É àqueles que se reservam
os céus
No combate do amor, são os “maus”
que prosperam
Porque eles estão acima do bem e
do mal
Ou disfarçam o engodo com promessas
erradias
São os fortes operários da
desconstrução
De uma (i)logicidade tirânica
Que hospeda em seu bojo o
princípio da contradição
Quanto aos bons, acostumados que
estão
Ao é dando que se recebe – lógica
dos ingênuos!
Estes nunca provarão das delícias
desejadas
Continuarão a navegar sem rumo
Acossados por tempestades
psíquicas e emocionais
Estes serão considerados fracos,
escravos
Inaptos pela severa lei de Eros
Que determina:
“Decifra-me ou te devoro”
(BAR)